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domingo, 22 de dezembro de 2013

Anti-redundância, o refrigério interior - 11

Uma agitação aguda andava a preencher a minha vida. Andei calado, sem saber o que fazer. Ainda ando. São-nos sempre pregadas partidas, esperemos nós ou não o açoite pouco suave. Mas ele também sabe ser simpático, e trazer-nos cosias boas. Estava tudo tão mal, e entraste em mim. Obrigado. Subitamente sinto alegria forte, que insiste em manter-me de pé e dar-me foco. Desculpa as minhas lágrimas. São sufoco, continua tudo mal. Mas obrigado, tu deixas-me de pé.


É feito de tempo o fado          
Em cena improvisada,
Tem aparência de lama
E pode parecer pesado,
Mas parte tudo do drama
E da decisão tomada


Lágrima em cada olho              
Parece ser a certeza
Fecham-se horizontes
Acaba-se a destreza
Nasce o novo trambolho
Desabam então as pontes


Mas as rasteiras pregadas
Não são apenas desgraça
E sabendo o porquê
Deixemo-nos de fachadas:
Não é cego quem não vê,
É cego quem não ultrapassa


E quando apontaste a luz
Para afastar a cegueira
Não senti felicidade
Reacendeste a fogueira
Senti calor e verdade:
Carregaste a minha cruz.