É feito de tempo o fado
Em cena improvisada,
Tem aparência de lama
E pode parecer pesado,
Mas parte tudo do drama
E da decisão tomada
Lágrima em cada olho
Parece ser a certeza
Fecham-se horizontes
Acaba-se a destreza
Nasce o novo trambolho
Desabam então as pontes
Mas as rasteiras pregadas
Não são apenas desgraça
E sabendo o porquê
Deixemo-nos de fachadas:
Não é cego quem não vê,
É cego quem não ultrapassa
E quando apontaste a luz
Para afastar a cegueira
Não senti felicidade
Reacendeste a fogueira
Senti calor e verdade:
Carregaste a minha cruz.