Pois, sonhos... O sonho é um mundo perfeito e paralelo ao que nos envolve. Lá, sem controlo sobre a nossa alma, conseguimos ser felizes, deixar as barreiras de lado, e voar mais alto do que qualquer ave. Um mundo de magia pouco fixa e imprevisível. E ao acordar, perdemos as suas benesses. Sim, acordar é horrível. Tens razão.
O sonho d'um só momento
É a alegria da gema,
Força do músculo preso
Que com o andamento,
Torna o espírito aceso
E deixa a dor mais extrema
Sonhas estar a voar
Com grande força nas asas
E se de repente acordas
Afogas o ovo em brasas
E queres só desafogar,
Mas as sensações são hordas
A existência corta a fundo
A casca dos mais inermes
Com a faca de dois gumes
Que constroi o mais imundo
E insiste em manter lumes
No mais impuro dos vermes
Por isso não quero acordar
Nem voltar a sentir brisa
Qu' afaste o brilho e a essência
E se eu passar da divisa
Escolho então desabar
O duro pesar da existência
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Buracos que a chuva causa - 6
Será que a chuva molha o vento? Perco alguns minutos na pátria aguçada e tento molhar algumas brisas leves, quentes e indefinidas. E elas não respondem, e não sei para onde vão as gotas, nem onde penetram.
Levo ao ar mais umas palavras e não sei se espero resposta alguma. Grito.
A maré em
frenesim
Fez água e vento em
escada
Entende ambiente
tenso
E então o que é o
fim,
Senão o fruto
propenso,
Da árvore mais mastigada?
Corredores mortos
de tempo
Intervalam chance
bruta
De ver o tudo no
nada
Com hipótese
pouco astuta,
D’entre escasso
movimento
Correr sobre linha
rasgada
E se não pode ter
tudo,
O que deve
acontecer?
Deixa tal maré
feliz,
Ou com um pouco
de estudo,
Encontra um outro
juiz
Que deixe a chuva
viver?
De novo te chamo
vento
Invoca uma voz
oculta,
Ela diz-te o que
fazer
Que sou chuva pouco
adulta
E só uso o
pensamento
P'ra não te
deixar morrer
domingo, 13 de outubro de 2013
Gritos doces de verdadeira agonia - 5
Está muito frio. Fugi para uma floresta gelada e procurei calor debaixo da tinta preta de uma caneta azul. Fugiram-me pensamentos bons e ficaram palavras, porque delas se alimenta a minha fome. Ao crepúsculo, depois de ouvir o vento, fiquei a entender pouco da razão. E da relação incestuosa entre o nada que entendi e o tudo que não entendo, nasceram estrofes de vontade e memória, às quais um dia, por intermédio do mistério e da ansiedade, poderá o vento usar como chave, para desencadear emoções à chuva:
Quando a cor
perde o sabor,
E na dor do teu
olhar
Encontro já o
saber
Vejo o fundo do
mar,
Fico modesto em
ardor
e enceta o talento
a tecer.
Abraço flores com
o cheiro
E insisto só em
pensar
Faça o vento acontecer
Seja fugir ou
sonhar
E posso então
prometer,
Dar-te-ei o mundo
inteiro.
E se achares que
é só dor
conteúdo destes
versos
Ouve o silêncio
da voz,
Cantarás que são
reversos
E verás chama e
calor
Neste fado tão
atroz.
Por isso te
invoco vento
Faz da chuva a
tua casa
E desiste da
revolta
Que se esse calor
não vaza
É porque tem
ponta solta
Na pátria do
pensamento.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Lava gelada, flocos quentes de neve - 4
Não faz sentido que nesse reino imperfeito liderem tais ideais. Aquela casa velha, que em miúdo entrava pela janela, está feia e ainda mais velha. Cresci e já não consigo entrar pela janela, e para meu grande desagrado encontro todas as portas fechadas. Não consigo chegar à lareira que me aquecia naqueles tristes e desagradáveis tempos frios. O casaco que visto agora não serve, porque não me dá mais do que um conforto irreal. As árvores estão cinzentas no jardim dessa casa. As flores não têm cor. Os frutos não têm sabor.
Piso em lava gelada, e caem do céu pequenos flocos de neve, que ardem e me queimam a pele.
Piso em lava gelada, e caem do céu pequenos flocos de neve, que ardem e me queimam a pele.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
"ao vento" Erradica as palavras, sente o significado - 3
Pois é certo, que sem água não existiria o mar, e que sem vento este não se moveria.
Não pares vento, para que não pare a água. As ondas e as brisas estão fortemente ligadas.
Não pares vento, para que não pare a água. As ondas e as brisas estão fortemente ligadas.
A água condensa-se, precipita-se e cai. Volta a levantar-se.
E porque é isso tudo objectivo? Porque não o é, e talvez não o sejamos. E estarei errado eu? Sim, estás. E estarás errado tu? Sim, estou. E mais, estamos ambos certos.
Revoga e erradica palavras tolas, e faz sucumbir o que nos afasta. Sente e não compreendas, porque assim funciona a nossa rotina. Porque tu és vento e eu sou chuva. Porque sinto a tua falta, e sente o mundo falta da nossa companhia. Porque as ondas são palavras, e as brisas acções.
domingo, 6 de outubro de 2013
Maré de tormentas, perigos do regresso - 2
Grandiosos castelos com belas e fortes construções foram erguidos sobre pequenas rochas, que sem trabalho não deixariam de o ser. As árvores deram lugar a sabedoria, e os nervos quentes transformaram-se numa quieta evolução de inquietação.
Sim, quero gritar. Sim, quero fazer com que as árvores me ouçam, que me ouça o frio e cruel mar, e os barcos que nele navegam, e quero que tu, vento, arranjes coragem necessária para me soprar ao ouvido a palavra errada no tempo certo. Ou talvez a palavra certa no tempo errado.
Sim, quero gritar. Sim, quero fazer com que as árvores me ouçam, que me ouça o frio e cruel mar, e os barcos que nele navegam, e quero que tu, vento, arranjes coragem necessária para me soprar ao ouvido a palavra errada no tempo certo. Ou talvez a palavra certa no tempo errado.
Que seria da degradação e corrosão sem o tempo? E o que seria do tempo sem esses também?
Promessas não são diferentes dos ramos da minha árvore. Se não fosse o vento, e a corrosão, e o nada, e o tempo.. eles nunca se partiriam.
Por isso constrói! Constrói castelos, e protege as árvores num bonito jardim, com perfume e calor. E talvez daí nasça a sabedoria.
Por isso constrói! Constrói castelos, e protege as árvores num bonito jardim, com perfume e calor. E talvez daí nasça a sabedoria.
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