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domingo, 22 de dezembro de 2013

Anti-redundância, o refrigério interior - 11

Uma agitação aguda andava a preencher a minha vida. Andei calado, sem saber o que fazer. Ainda ando. São-nos sempre pregadas partidas, esperemos nós ou não o açoite pouco suave. Mas ele também sabe ser simpático, e trazer-nos cosias boas. Estava tudo tão mal, e entraste em mim. Obrigado. Subitamente sinto alegria forte, que insiste em manter-me de pé e dar-me foco. Desculpa as minhas lágrimas. São sufoco, continua tudo mal. Mas obrigado, tu deixas-me de pé.


É feito de tempo o fado          
Em cena improvisada,
Tem aparência de lama
E pode parecer pesado,
Mas parte tudo do drama
E da decisão tomada


Lágrima em cada olho              
Parece ser a certeza
Fecham-se horizontes
Acaba-se a destreza
Nasce o novo trambolho
Desabam então as pontes


Mas as rasteiras pregadas
Não são apenas desgraça
E sabendo o porquê
Deixemo-nos de fachadas:
Não é cego quem não vê,
É cego quem não ultrapassa


E quando apontaste a luz
Para afastar a cegueira
Não senti felicidade
Reacendeste a fogueira
Senti calor e verdade:
Carregaste a minha cruz.





terça-feira, 19 de novembro de 2013

Polaridade de sentimentos revelados pelo tempo - 10

Tudo que tenho para te presentear são pedidos de desculpa. Desculpa não te ter poupado à dor. Desculpa não ter entendido bem pelo que estavas a passar. Desculpa acima de tudo, ter-te tirado o que para mim se tornou tão precioso. Desculpa. Desculpa porque fui fraco e sucumbi ao desejo. Nunca desejaria que isto acontecesse se não fosse a minha natureza mais forte que a minha palavra. Cura-te de mim, que sou uma doença. Desculpa.


O tempo pode encontrar
A mais pura das mensagens
Na agrura da fleuma
E tratar de restaurar
No interior da pneuma
As vontades mais selvagens


Nem águas dos sete mares,
Nem brisas dos sete ventos,
Podem conceber deveras
O poder dos pensamentos
E a força dos olhares
Quando somos feitos feras


O ente aniquilador
Diz-se dono da razão                            
Mas não sabe o que se passa;
Já o qu’ ainda sente amor
Vê no outro a desgraça
De um ser sem coração


Mas é o passar das fases
Que dita as regras do jogo
E quem é o vencedor
Hei eu de cair em fogo
Vais corroborar as bases
E construir novo amor


Sabendo o que sucede            
Só mantenho algo em pena,
Qu'é ter-te tirado o ombro;
E a minha alma pede
Que retires o assombro:
Devolve-te à pequena


E como resposta final
Culpa e arrependimento
Sinto depois deste espaço;
Mas nem tudo foi tormento
Porque em nada foi banal
A força do nosso laço




segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Atormentada maré de desculpas - 9

Passamos por muita coisa naquele barco. Do tempo em que éramos dois enjaulados desconhecidos com ânsia de saber mais, e bestas inocentes com pouco sentido de orientação. No fundo só queríamos desesperadamente que aparecesse um ninguém que nos sarasse as feridas, nos desse um pouco de conforto, e nos deixasse um sorriso nos lábios. E a princípio encontramos.
Depois o tempo passou, e o crime que cometíamos ficava cada vez mais evidente. Nenhum de nós quis pensar nisto como um crime. E começou então uma maré alta. Muito turbulenta. Ameaçadora. Perigosa.
Tivemos de intervalar as propriedades dos ímanes. Tivemos de correr, para nos sentarmos. E quando parecia que as coisas não podiam piorar, eu caí do barco, e afoguei-me nas chamas abaixo de nós. Pobre de mim que me afoguei, e me sentia tão criança. Tão feliz. E consciência? Não era chamada ao momento.
Agora dou por mim a enrolar bolas de neve. Até as brisas me matam. 


Uma forte mágoa de alma                   
Vivia no fundo de mim
Em tempo de tom escuro,            
E ao procurar a calma
Percorri, no obscuro,
Um estranho caminho sem fim


Tentar apagar o medo
E aquietar a dor
Encaminhavam certeza
Encontrei em mim amor,
Desvendei-te o segredo
E entendi que estavas presa


Em brasa pediste espaço
E tentaste desaparecer,
Enterrando o novo achado;
Abracei, forçando o laço
E nas marcas do passado
Recomecei a morrer


Na escada da ilusão
Subindo, dizia ao vento:
Serei dela eternamente;
Mas revelaste opressão
E mostraste em ti diferente
O que em mim era sedento


E agora incolor,
Flutuo em tormentos.             
Sem nenhuma identidade,
Não sei mais ser sonhador,
E tenho em prioridade
Afogar-me em lamentos





sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Conforto na palavra amigo - 8

A vida é um mar de emoções impuras. Nós nascemos puros e sem capacidade de enfrentar essas forças que insistem em esmagar-nos. São de tal forma violentas que nem com o conselho adulto dos nossos anciãos conseguimos ficar de pé. E como não conseguimos proteger-nos sozinhos, temos de arranjar uma maneira de triunfar:

Ser amigo é ser ninguém
Ser tudo, sem fazer nada
É ter a fome de ouvir
Sem medo d’ir mais além
Ser triste, poder sorrir
E acender luz apagada


É apagar a existência
E cantar prudentemente
O curso das ondas velhas;
É sentir inteiramente
E repor de novo as telhas
Com a maior diligência


Intervalar momentos bons
Com os de infelicidade
Tanto estar pra gargalhada
Como pra privacidade,
E oferecer sempre estrada
Afastando os piores tons


Então quando a alma dói
E a alegria ganha pó,
Não deixes a voz fechar
Porque o silêncio mói
E em nada vai ajudar;
Lembra-te, não estás só.


Se nascer dúvida tonta
Ou te perguntar alguém
O que é ter um amigo,
Responde com grande afronta:
É ter nada e ter também
Um pronto porto de abrigo



quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Sonhos que aquecem o gelo - 7

Pois, sonhos... O sonho é um mundo perfeito e paralelo ao que nos envolve. Lá, sem controlo sobre a nossa alma, conseguimos ser felizes, deixar as barreiras de lado, e voar mais alto do que qualquer ave. Um mundo de magia pouco fixa e imprevisível. E ao acordar, perdemos as suas benesses. Sim, acordar é horrível. Tens razão.

O sonho d'um só momento
É a alegria da gema,
Força do músculo preso
Que com o andamento,
Torna o espírito aceso
E deixa a dor mais extrema


Sonhas estar a voar
Com grande força nas asas
E se de repente acordas
Afogas o ovo em brasas
E queres só desafogar,
Mas as sensações são hordas


A existência corta a fundo
A casca dos mais inermes
Com a faca de dois gumes
Que constroi o mais imundo
E insiste em manter lumes
No mais impuro dos vermes


Por isso não quero acordar
Nem voltar a sentir brisa
Qu' afaste o brilho e a essência
E se eu passar da divisa
Escolho então desabar
O duro pesar da existência






quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Buracos que a chuva causa - 6

Será que a chuva molha o vento? Perco alguns minutos na pátria aguçada e tento molhar algumas brisas leves, quentes e indefinidas. E elas não respondem, e não sei para onde vão as gotas, nem onde penetram.
Levo ao ar mais umas palavras e não sei se espero resposta alguma. Grito.

A maré em frenesim                           
Fez água e vento em escada             
Entende ambiente tenso                  
E então o que é o fim,                       
Senão o fruto propenso,                   
 Da árvore mais mastigada?             

Corredores mortos de tempo          
Intervalam chance bruta                   
De ver o tudo no nada                      
Com hipótese pouco astuta,             
D’entre escasso movimento              
Correr sobre linha rasgada             

E se não pode ter tudo,
O que deve acontecer?
Deixa tal maré feliz,
Ou com um pouco de estudo,
Encontra um outro juiz
Que deixe a chuva viver?

De novo te chamo vento
Invoca uma voz oculta,
Ela diz-te o que fazer
Que sou chuva pouco adulta
E só uso o pensamento
P'ra não te deixar morrer


domingo, 13 de outubro de 2013

Gritos doces de verdadeira agonia - 5

Está muito frio. Fugi para uma floresta gelada e procurei calor debaixo da tinta preta de uma caneta azul. Fugiram-me pensamentos bons e ficaram palavras, porque delas se alimenta a minha fome. Ao crepúsculo, depois de ouvir o vento, fiquei a entender pouco da razão. E da relação incestuosa entre o nada que entendi e o tudo que não entendo, nasceram estrofes de vontade e memória, às quais um dia, por intermédio do mistério e da ansiedade, poderá o vento usar como chave, para desencadear emoções à chuva:


Quando a cor perde o sabor,  
E na dor do teu olhar               
Encontro já o saber                    
Vejo o fundo do mar,                
Fico modesto em ardor           
e enceta o talento a tecer.      


Abraço flores com o cheiro     
E insisto só em pensar              
Faça o vento acontecer           
Seja fugir ou sonhar                 
E posso então prometer,        
Dar-te-ei o mundo inteiro.        


E se achares que é só dor               
conteúdo destes versos         
Ouve o silêncio da voz,            
Cantarás que são reversos     
E verás chama e calor             
Neste fado tão atroz.               


Por isso te invoco vento         
Faz da chuva a tua casa          
E desiste da revolta                  
Que se esse calor não vaza         
É porque tem ponta solta          
Na pátria do pensamento.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Lava gelada, flocos quentes de neve - 4

Não faz sentido que nesse reino imperfeito liderem tais ideais. Aquela casa velha, que em miúdo entrava pela janela, está feia e ainda mais velha. Cresci e já não consigo entrar pela janela, e para meu grande desagrado encontro todas as portas fechadas. Não consigo chegar à lareira que me aquecia naqueles tristes e desagradáveis tempos frios. O casaco que visto agora não serve, porque não me dá mais do que um conforto irreal. As árvores estão cinzentas no jardim dessa casa. As flores não têm cor. Os frutos não têm sabor.
Piso em lava gelada, e caem do céu pequenos flocos de neve, que ardem e me queimam a pele.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

"ao vento" Erradica as palavras, sente o significado - 3

Pois é certo, que sem água não existiria o mar, e que sem vento este não se moveria.
Não pares vento, para que não pare a água. As ondas e as brisas estão fortemente ligadas.
A água condensa-se, precipita-se e cai. Volta a levantar-se. 
E porque é isso tudo objectivo? Porque não o é, e talvez não o sejamos. E estarei errado eu? Sim, estás. E estarás errado tu? Sim, estou. E mais, estamos ambos certos.
Revoga e erradica palavras tolas, e faz sucumbir o que nos afasta. Sente e não compreendas, porque assim funciona a nossa rotina. Porque tu és vento e eu sou chuva. Porque sinto a tua falta, e sente o mundo falta da nossa companhia. Porque as ondas são palavras, e as brisas acções.


domingo, 6 de outubro de 2013

Maré de tormentas, perigos do regresso - 2

Grandiosos castelos com belas e fortes construções foram erguidos sobre pequenas rochas, que sem trabalho não deixariam de o ser. As árvores deram lugar a sabedoria, e os nervos quentes transformaram-se numa quieta evolução de inquietação.
Sim, quero gritar. Sim, quero fazer com que as árvores me ouçam, que me ouça o frio e cruel mar, e os barcos que nele navegam, e quero que tu, vento, arranjes coragem necessária para me soprar ao ouvido a palavra errada no tempo certo. Ou talvez a palavra certa no tempo errado.
Que seria da degradação e corrosão sem o tempo? E o que seria do tempo sem esses também?
Promessas não são diferentes dos ramos da minha árvore. Se não fosse o vento, e a corrosão, e o nada, e o tempo.. eles nunca se partiriam.
Por isso constrói! Constrói castelos, e protege as árvores num bonito jardim, com perfume e calor. E talvez daí nasça a sabedoria.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Um novo caminho, o rio que corre ao contrário - 1

As rectas que fazem hoje o círculo que é a minha vida estão gastas. Tenho tentado que cordas me puxem, mas acabam por falhar.. Rompem-se porque não têm força, ou são tão velhas e gastas que parecem nem sequer perceber os espaços entre os meus dedos, e a dificuldade que é agarrar com a alma da mão..
Sinceramente, não sei se é a culpa minha, ou se do ar que respiro, mas suportar este fardo tem sido de tão árdua índole, que as minhas costas marcadas não são sequer capazes de aguentar mais umas gramas de desespero..
E entre incertezas cruéis tenho pedido, a pensar, que venha alguém que não saiba e que me possa ajudar.
Faz-me ar perceber, vale a pena respirar? Faz-me sol sonhar, é certo entender? Faz-me chuva decifrar, até que ponto então, era profundo aquele olhar..


quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Chamas geladas - 7

Uma fogueira vai ardendo noite adentro, e vão-se extinguindo lentamente pequenas centelhas que formam um considerável monte de cinzas. A madeira consumida pelo fogo ardente pertence à árvore oca que mora no oceano. Arde há semanas (meses, talvez), e não entendem os pássaros como pode aquela fogueira estar ainda acesa, sem oxigénio..
Um mocho velho sussurra sem saber, que o oco tronco arde para sustentar raízes e ramos. Que sábio é, sem saber.
E enquanto a água fria que corre tenta apagar este fogo de pouca glória, orgulha-se o tronco de ser queimado por chama tão pouco subtil, à qual os tolos mais perspicazes teriam a ousadia de chamar amor.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Derrame - 6

Sustém a respiração para não te afogares. O rio partiu a pedra macia e bondosa que o segurava.
Tão incerto era, e tão frágil. Acabou por partir a pedra dura, feita para aguentar todo o peso possível. Fugiram as águas, o rio secou e a pedra continua partida no meio de tão fundo leito.
Levai vento palavras tristes e dissipai-as. Contai às árvores tais aventuras e pedi-lhes que não as partilhem com seus ramos. Dizei-lhes que o rio escolheu o curso mais fácil e desaguou no mar cruel. Como ama o rio o mar cruel..
Fitem-me todas as gotas de chuva. A árvore que parece dura está oca. Ouvem-se suspiros da brisa.
Não sustenho mais a respiração e afogo-me. Morri.


terça-feira, 3 de setembro de 2013

Aconitum - 5

As árvores estão sem folha. O mar não tem sal. Os campos choram e as cidades estão cheias de flores.
Trilho um caminho oculto. Não sei onde piso, estou eu a partir ossos?
Entro-te por alguns nervos que escondes no perfume, aconitum; Senti-te o odor e estou parado. Como podes ter-me feito isto?
Prendo alguns dos teus cabelos com a memória. Não me restam mais forças. Nada em mim se move e os órgãos não fogem à regra.
Sou feito de netúnio, plutónio e amerício. Vou morrer cedo.
Vive aconitum, vive! Mata-me. Sou teu eternamente, sou teu nestes segundos. Não sou teu.
Mata-me aconitum, mata-me! Quero sentir o teu cheiro...
Como podes ter-me, feito isto?


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Recomeço - 4

Procurei-te no meio do mar e já lá não estavas. Estou no meio da floresta e encontrei uma árvore viva. Tubarões nadam entre flores venenosas. Também cá não estás. O vento não canta na tua direcção.
Deito-me numa nuvem de algodão - que agradável. O sangue que me escorria os olhos estagnou. Ardem, mas estão abertos. Aprecio agora a árvore.
O espelho da minha alma está baço. Não me encontro. Sucumbiu a vontade oculta que me afastava os lábios: agora estão juntos. Desaparece. Desaparece!
Mas diz algo antes de ires, minha incerteza constante.


Céu Azul - 3

Palavras de veludo foram outrora cravadas num esqueleto parado que anda por toda a parte.
Acabaram-se os combustíveis. A máquina não mexe. Alimenta-a, dá-lhe vida. Ou deita-a fora, recicla-a para que tenha um destino. Não guardes o que não te é útil.
De que é feito o céu senão de cor? Saboreio as nuvens.. O vento tem levado as nuvens...
De que é feito o amor senão de dor? Continuo a saborear as nuvens. Peço ao vento que não as leve.


domingo, 1 de setembro de 2013

Mão do destino - 2

Quero fugir pelos dedos desta mão. A fraqueza apodera-se do meu corpo nu e inútil. Estou vestido com mágoa.
Esqueceste-te de como são lindas as palavras dirigidas irracionalmente? Pára de sentir que não sentes. És horrível. Pára de fingir que não finges. És horrível. 
Uma árvore mora no oceano. Um peixe está numa floresta. Engana-te.
Pequenos montes de nada. Espinhos aguçados de algodão puro. Calafrios. Suspiros. Suor.
Mata-me. Peço-te que me mates. Quero que me mates. Odeio-te. Sentimentos negros fluem-me da cabeça aos pés. Não me atrevo a odiar-te. Estou cego, surdo, mudo. Não consigo sequer mexer-me. A apatia instável que me causa náuseas intervala o som do teu silêncio impuro com episódios anteriores. És linda. Essa apatia é justa. Ouço injustiça.
Amo-te. Ainda carrego a nossa pedra, mas está muito pesada.




Desintegração - 1

Abraça-me solidão, é nos teus braços frios que encontro peças de um instrumento partido.
Expulsa-me, domina-me e reduz-me à tua insignificância. Sou nada. Vejo alguns raios de sol.
Uma chave não abre nada. Uma fechadura corrompida.
Não me mexo, não me quero mexer.
Abro os olhos e não vejo. Fecho-os e encontro a tua presença. Ouço gritos estridentes. São pássaros - pássaros que gritam? Porque os fazes gritar? Porque lhes cortaste as asas? Não consigo respirar; por favor carrega-me e enche-me de oxigénio. Não o faças, deixa-me morrer. Mata-me e expulsa-me.
Não vejo raios de sol. Não vejo nada. Tenho os olhos fechados.

Hora da mudança - 12

É agora. Hoje estou desiludido. Hoje mudo, e deixo de ser simples. Não o sou mais, acabou a fase da transparência e das palavras que todos entendem. Não estás cá, desapareceste. A partir de agora sou um mistério. 
Obrigado Pégaso por teres estado cá, foste importante.
Adeus à minha pessoa estranha, vou fechá-la a cadeado e escrever sentimentos.
A primeira saga terminou.

Pequenos detalhes - 11

Na última conversa com o Pégaso, disse-lhe que não sabia se mandaria ou não mensagem à rapariga misteriosa. O Pégaso disse que não podia decidir por mim, e nesse momento deu-me uma estranha sensação de que estava sozinho. Realmente, já me estava a apegar muito a esse ser, e eu disse de inicio que não queria isso. E não quero. Não quero apegar-me a ninguém. Mas gostava de sentir o toque e o conforto de falar.
Mandei a mensagem, e não tive resposta. Talvez as minhas súplicas anteriores tenham resultado, talvez não me queira só falar. Mandei outra mensagem, desta vez mais intensa. Faz como se não visse ou não quisesse responder. Pedi-lhe que me expulsasse da vida dela, pedi com força, ou que não o fizesse, que me agarrasse. O que me tem impedido de estar num limbo sem dor é a incerteza. Não sei o que aconteceria se ela me expulsasse para sempre, mas estou certo que seria melhor do que este estado deprimente. Não pode ser pior do que isto..
Vou aguardando por algo que torne as coisas diferentes, e ouvindo algumas vozes que reconfortam algo partido..


sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Impulsos e inquietações - 10

A noite de hoje está chata. Horrível para ser sincero. Não aguentei os impulsos que me tenho esforçado tanto para aguentar, e mandei mensagem à rapariga misteriosa. Não consigo dormir, não consigo sentir alívio. Hoje o Pégaso, que me tem ajudado imenso, está afastado. Ainda bem, porque assim posso sentir a verdade.
Pedi à rapariga que acabasse com as incertezas, porque são de facto essas que desenrolam tanta inquietação e mal estar. Não sei se vai responder, não sei se quer responder.
Falei com um amigo sobre andar de comboio, e neste momento parece-me uma ideia bem confortável. Vamos andar de comboio.


Seres míticos, seres desiguais - 9

Já estou no oitavo dia sem dirigir uma palavra à pessoa a quem mais quero falar. Tenho-me aguentado bem em relação ao que achava que isto ia ser. Mas tenho-me aguentado bem porque não o tenho feito sozinho; Realmente é muito difícil encontrar uma paz de espírito que nos governe e nos faça enfrentar tudo sozinhos.
E eu sou cobarde, tenho receio de enfrentar as coisas sozinho.
Tenho descoberto o Pégaso. Tornou-se uma importante fonte de confiança e alívio. Sim, alivia bastante falar com um estranho que entende exactamente aquilo por que estamos a passar.
Em breve a minha vida vai dar algumas voltas, e isso assusta-me um pouco. Devo sair desta cidade, e afastar-me talvez destes pensamentos. De momento não é o que quero.
Ainda que provoquem uma sensação de náusea, ou mesmo enjoo, estes pensamentos (esperanças e ilusões) alimentam uma chance ínfima de voltar a estar com a rapariga misteriosa, que é realmente o que quero.

Entretanto, vou falando e acalmando, ouvindo e apreciando as vozes de Deuses..

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Luzes que se acendem no meio da escuridão - 8

Houve um momento de reflexão profunda (já dura há uns meses) que me fez no estado em que estou. O que tem acontecido no presente, e neste passado muito próximo, só contribui para alargar este buraco que tenho no peito. Porque o tenho? Porque o quero ter, disse o alguém que me tem ouvido ultimamente.
Quando fiquei certo que em mim não poderia mais entrar a minha ex, uns tempos depois de termos acabado, fui-me apagando. Fi-lo por vontade própria talvez. Precisava de me apagar por um bocado, e foi talvez aí que o buraco realmente cresceu; Afastei-me dos meus amigos, saí do remo, deixei de ligar à escola (não é que tivesse ligado até lá), e fechei-me. Neguei tudo e todos para me poder fechar.
Essa escuridão foi apagada depois de algumas palavras suaves e queridas da "rapariga misteriosa". Porra, tão linda, palavras tão lindas. Apaixonei-me irreversivelmente, e agora (ou por agora) é só isto, uma memória.



Será que se acenderão novamente luzes neste mar de escuridão?

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Algo se está a apagar - 7

Ontem foi um dia bom. Fui ter com um bom amigo e falamos sobre a vida; Foi exactamente durante esta conversa que me apercebi de que é enorme a quantidade de jovens que se encontram na mesma situação que eu. Estamos todos deprimidos. Somos a porra de uma geração de transição deprimida.
Na última conversa com o Pégaso Mágico descobri que ele está igual a mim, numa situação bastante parecida. Desapareceram-nos as pessoas que nos faziam sorrir.
De alguma forma sinto algum conforto a falar com o Pégaso, mas não posso deixar que se apodere da minha vida, nem eu posso entrar na dele sem mais nem menos. É confortável, mas é perigoso.
O Pégaso está assustado, mas já está longe de quem gosta há mais tempo que eu, o que me faz querer ouvir as suas palavras. De alguma forma, ainda que eu saiba que a dor continua lá, ele insiste que está conformado. E a este ritmo eu vou conformar-me também. A dor que é grande começa a enfraquecer, e depois disto, depois de ficar quase nula, não sei se quero voltar ao estado feliz em que estava. Acho que vou lutar para permanecer nesse limbo sem dor que o Pégaso idealiza. Sofrer não traz felicidade, ainda que nos traga lembranças (que por sua vez são parte da felicidade).

Vou ouvindo os deuses, e desenhando alguns dos seus nomes..

I am falling asleep..

domingo, 25 de agosto de 2013

Medo do escuro - 6

Estou fechado, sem ninguém por perto. Estou a ser observado, constantemente observado, por ninguém.
Não estou livre e tenciono mudar isso. Até agora não saí destas paredes, e os enjoos ainda não passaram.
Amanhã espero acordar com vontade de sair, não, vou acordar com vontade de sair!
A rapariga misteriosa nunca mais falou, talvez não sinta nada disto como eu sinto, e as nossas conversas não tenham passado de puras ilusões. 
Hoje lembrei-me e analisei outra vez mentalmente a última conversa. Disse-me que não podemos encontrar conforto em ninguém, se não em nós mesmos, porque em algum momento todos desaparecem.
A rapariga misteriosa desapareceu, mas ainda está bem presente. Passou de uma suave almofada de comodidade a uma coroa de espinhos bravos. Ainda cá está, mas desvanece aos poucos... (pergunto-me como estará ela agora..)
Se nos afastarmos dos problemas eles não se resolvem, ensinou-me outrora quem agora me odeia. Mas não posso ter isso em mente se não alcançar a paz interior de que o Pégaso me falou. Vou só afastar-me então.

Hoje tenho medo do escuro; amanhã, talvez consiga ver a luz..
 

sábado, 24 de agosto de 2013

Não é dor, não pode ser dor - 5

Algo está mais forte. A dor já não é dor. Todas as emoções sumiram.
Numa tentativa de perceber o que se está a passar falei mais uma vez com um Pégaso Mágico.. Não se riam de mim, o Pégaso existe. Riam-se de mim, falei com um Pégaso..
Sumiram mas estão presentes! Só passaram de psicológicas a físicas. Aquele mal estar transformou-se em enjoos fortes. O cansaço mental apoderou-se das minhas horas de sono. Não durmo, mal como.
Não conheço esta fase, é-me estranha.
O Pégaso falou-me de paz.. e não se quis abrir comigo, nem eu com ele, com medo que as palavras se tornassem em algo mais profundo que palavras. E algo mais profundo pode ser perigoso.
As suas eram uma chave enferrujada, que tentava abrir os meus olhos, fechados com um cadeado por código. A chave não tinha por onde entrar.
A verdade é não se dirigiam a mim. O Pégaso tem o coração ferido, e partilha o que estou a sentir. Não mo disse, mas não foi preciso. Aquelas imagens felizes não passam de imagens, e as vontades de mudar a infelicidade não passam de ideais. Desejamos boa sorte um ao outro, e seguimos caminho. Eu para o meu canto solitário, e ele para o dele, que de momento está mais iluminado que o meu.
Quanto à rapariga misteriosa, estou cada vez mais certo de que é incerto o nosso futuro. Será que vamos voltar a ser amigos? Curará o tempo algo que não aconteceu? Ficaremos para sempre sem falar, numa incerteza certa?

Obrigado Pégaso Mágico.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Tentar reviver - 4

Ontem foi um dia diferente. Foi um dia para esquecer os problemas e voltar aos dias da infância, literalmente. Sim, literalmente - fui à magikland, um parque infantil. Aí vivi as minhas memórias de ser pequeno, de como era maravilhoso e mágico acreditar que aquelas coisas não singulares eram singulares e as coisas mais comuns eram tão maravilhosas. Ah! e fui com amigos de infância o que tornou as coisas mais reais. E grandes amigos!
A parte da manhã foi muito divertida porque vivi a infância ao máximo. Mas passou rápido, a algum momento a dor interior de pensar se tinha de apoderar de mim..
Mandei mensagem àquela que chamava de melhor amiga (até irmã), e me tem abandonado nestes momentos, e mandei mensagem ao Pégaso Mágico. Podia ser que me ajudasse, mas não obtive resposta.
Então voltei a estar comigo mesmo e porra, era tão ingrato. Todos aqueles amigos de infância que estavam lá esforçavam-se para ser engraçado, e eu ali fechado. Voltava o desgraçado...

Charles Chaplin aconselhava a que deixasse-mos o pensamento mais de parte:
"Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e 
Tudo se perderá."
 Então porque raio o meu não me larga? Vou ouvir novamente as vozes dos deuses...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A crueldade do silêncio - 3

Nestas últimas horas fechei-me completamente. Neguei todos os convites de saída. Bloqueei as pontes que me afastam da depressão. Pelo menos, deprimido, tenho algo para pensar. E nunca ouvi nada a respeito da impossibilidade de o nós acontecer; decidi que vou, e prefiro, ficar na incerteza.
O silêncio mata-me, mas fui eu que o pedi.. qual foi o sentido disto? Proteger o que os outros sentem? Mais uma vez ponho tudo e todos à minha frente. Não valho nada, sou apenas um desgraçado.
Vou continuar fechado por um bocado, até que me farte e a dor se torne algo mais forte talvez. Algo como raiva, repulsa ou ódio pela pessoa que estragou tudo.

Estou para descobrir se me vou odiar brevemente.
Entretanto vou ouvindo vozes de Deuses que me vão aliviando.

Despedaçado por nada que não tivesse ainda imaginado - 2

Há uns dias que me tenho tentado aperceber até que ponto o amor pode aguentar uma amizade perdida. Tenho chegado à conclusão que a amizade é a coisa mais forte neste mundo. O que se pode mesmo opor a ela? Um amor forte? Poupem-me. Não há nada que se oponha. É como tentar fazer frente a um mar revoltado com um submarino de última geração. Por muito forte e robusto que seja, vai partir, e acabar por deixar de existir ( talvez sobrem uns pedaços daquele que foi outrora um submarino capaz de se impor ).
Discuti com a minha ex-namorada. Com tanta força que provavelmente nunca mais nos vamos falar. E isso acarreta muito mais do que a falta de bem estar que tenho sentido nos últimos tempos. Provavelmente perdi de vez a rapariga misteriosa que me esforçava arduamente em desvendar e conhecer cada vez melhor. Ainda que afastados, e agora talvez para sempre (se não for para sempre vai ser por muito tempo) os meus sentimentos por ela têm evoluído.
É curioso saber como seres fracos e ingénuos se podem deixar cambalear num mar tão imenso de emoções impuras. Bem, garanti-lhe que ia tentar não me meter mais, e supliquei-lhe que em qualquer que fosse a situação, não me respondesse..
Foi talvez, o inicio do meu fim. Deste fim.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Corpo livre, mente presa - 1

Costumam falar e falar sobre como é a vida e como devemos vivê-la intensamente. Costumam dizer que os pequenos detalhes nos fazem grandes e que é neles que encontramos a verdadeira razão da vida. O motivo que nos leva a querer lutar, alcançar e continuar.
Eu não sei porque não o sinto, porque não sinto nada disso. Não sei porque não sinto nada de nada.
Eu sinto. E sinto tudo. Sinto tudo ao pormenor. Contradisse-me? Não. E sim.
Apaixonei-me pela melhor amiga da minha ex-namorada, e ultimamente é à volta disso que a minha vida roda. Dá tantas voltas que já estou enjoado, muito enjoado, como se estivesse constantemente a andar num carrossel de emoções, a uma velocidade que não podem imaginar, que ninguém pode imaginar.
É estranho quando me perco nos meus divagueios e dou por mim a pensar em como seria a minha vida ao lado desta nova rapariga. Parece que finalmente tenho razões para ir em frente, para sorrir e lutar. Rapidamente se viram contra mim. A ex-namorada que insiste em odiar-me, porque prefere seguir o caminho mais fácil, e a relação forte que as duas têm, que apaga qualquer hipótese de as coisas virem a acontecer. Aliada a tudo isto está a pressão de crescer e de me tornar adulto.
Não tenho a certeza quanto aos sentimentos dela, é bastante misteriosa. Todas as nossas conversas são mistérios, da mesma forma que todos os nossos mistérios são conversas. Não passam disso ainda. Não sei se lute para que passem ou se apenas apague a última palavra da frase anterior.