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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Buracos que a chuva causa - 6

Será que a chuva molha o vento? Perco alguns minutos na pátria aguçada e tento molhar algumas brisas leves, quentes e indefinidas. E elas não respondem, e não sei para onde vão as gotas, nem onde penetram.
Levo ao ar mais umas palavras e não sei se espero resposta alguma. Grito.

A maré em frenesim                           
Fez água e vento em escada             
Entende ambiente tenso                  
E então o que é o fim,                       
Senão o fruto propenso,                   
 Da árvore mais mastigada?             

Corredores mortos de tempo          
Intervalam chance bruta                   
De ver o tudo no nada                      
Com hipótese pouco astuta,             
D’entre escasso movimento              
Correr sobre linha rasgada             

E se não pode ter tudo,
O que deve acontecer?
Deixa tal maré feliz,
Ou com um pouco de estudo,
Encontra um outro juiz
Que deixe a chuva viver?

De novo te chamo vento
Invoca uma voz oculta,
Ela diz-te o que fazer
Que sou chuva pouco adulta
E só uso o pensamento
P'ra não te deixar morrer


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