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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Contentamento induzido

Já não escrevo há algum tempo.
Não escrevo porque escrevo quando não consigo transportar os problemas.
Mudá-los de carruagem com o comboio em andamento e ter contudo ficado em terra.

Mas agora escrevo, e não é porque tenho saudades.
Sinto-me forçado a escrever.
Mas agora não tenho dramas nem buracos por onde fuja a minha incapacidade de processar. (nem a capacidade)

Agora escrevo, porque nasceu calor e forma de duas árvores tão lindas que julgava congeladas e que a natureza uniu. Foram descongeladas pela união.
Adormecem na relva uma da outra, e trocam frutos como quem troca beijos matinais depois de uma noite longa de sexo. E devolvem-se a si sem se sentirem corruptas. Deixam viver os esquilos.


E eu, continuo a construir a minha felicidade com a semente mágica que encontrei. Continuo a construir porque não foi tão imensamente certo o inicio, por mais insanamente rápido que tenha crescido e gigante se tenha tornado.
Aprendi a fazer crescer flores por cima da minha relva. Aprendi que as flores crescem se as plantarmos com muito carinho, e que não são só as flores selvagens que têm beleza selvagem.


Vivo feliz, e vivem felizes as árvores quentes. Só falta conectar-me às árvores, e o colheita pode ser concluída.