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terça-feira, 25 de novembro de 2014

Ato solene de negação da existência. Negação da hipótese. Descoberta. Pretend to be nemo.

É curioso como o cérebro tem a enorme capacidade de criar cenários maravilhosos e ideais onde é sempre o sonhador a sair bem, feliz e completo. Logo depois de imaginarmos a primeira imagem, ela começa a transformar-se, sempre para melhor, numa mistura de ondas e de calor, perigos e frios, que acaba por matar quem se atreve a mergulhar no abismo. Se não matar, danifica.



Curioso estar à espera     
Que se faça luz do nada   
E começe a chover fogo    
D'onde a tristeza opera     
Ninho da chama apagada    
Sem sinal de pedagogo
    

Em sonho nasce a esperança 
D'entre pétalas rasgadas   
E de bixo esfomeado;       
Ganha cor, balanceado
E em grande confiança
Fortes chances almejadas


Quando revelada a essência
E o suporte da alma,
É desfeita a construção;
É roubada em pressa a calma
E daquela irreverência
Se desfaz o coração


E seca, já desvirtuando              
Debuta a ferida a sarar;         
Era só do imaginário        
Que se alimentava o lume         
E se erguia do estrume         
Aquele calor tão brando        
Que me fazia sonhar,            
Preterir ser ordinário         

 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Tema novo e já usado, o medo ébrio

Faz pouco tempo que deixou de doer, de arder como ardia; entrei num transe quieto de emoções e depressa me libertei dele. A minha vida continua sem fazer nenhum sentido, insisto em tentar responder às mesmas perguntas, e apagar tudo que acendo.
Ultimamente, e com ultimamente quero dizer nos últimos dias, tenho estado mais atento ao que as pessoas dizem, e tenho também atentado a isso, o que me obriga a pensar e a tentar descobrir uma resposta. Porque é que são tudo perguntas? Porque é que só vejo perguntas?
Estou com medo, com muito medo. Estou a cair novamente no abismo da solidão. E não estou com medo de estar sozinho, estou com medo do que a minha cabeça me está a obrigar a pensar e sentir.
O musculo preso voltou a andar. Em grande sobressalto, e desta vez muito singular, começou a bombear oxigénio para alimentar fogueiras de hipóteses loucas. ELA NÃO, ELA É O MEU ANJO!.
Mas que posso fazer?, nem em controlo estou, e já começo a sentir inefável alegria.
Estou certo que não sinto medo tão extremo faz muito tempo. O carrocel de emoções está para voltar, e as primeiras viagens começam a ser feitas. Posso afirmar, com quase toda a certeza, que este é o fim do primeiro e verdadeiro capítulo da minha vida, a busca da gaude. Finalmente, tenho comigo chaves, e pondero tentar abrir portas. Se as portas não abrirem, sigo caminho. Mas não volto para trás. Está decidido. E quando ela souber o que vai na minha alma agora, o meu mundo acaba.
Aquele sorriso inocente de conforto por existir o nosso laço pode desfazer-se e tornar-se numa expressão murcha. E se isso acontecer? PODE SER MESMO O MEU FIM. Recuso a viver sem ti, sem essa magia e esse calor que me mantiveram vivo este tempo todo. Não quero acordar nem adormecer a pensar que as coisas mudaram porque mudou a minha panorâmica. Tenho tanto medo que não quero adormecer. Ajuda-me novamente.
Já que começa agora a nova fase, este renascimento, vou tentar olhar por outros prismas, e utilizar talvez a hipnose quente para me travar. Que comece.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Guerra Fria, o que resta é saudade. Revelação.

Tenho energia. Tenho em pronto desespero a força de ir mais além. Tenho agora saudade do antes. Do que era passado e se tornou, no meu imaginário, futuro. Tenho vontade de ir mais longe de novo. Arriscar magoar a pele, talvez até arrancá-la em gesto vão, tentar. Pôr-me de pé aos gritos só para que mais ninguém me ouça, para que me ouça alguém, e no fim o meu silêncio seja ouvido. É importante o silêncio, é. Mas deixa saudade da conversa e da paixão que ficaram filtradas. Que se desfizeram solenemente no orgulho da agonia. Que nem sequer coragem têm para tomar qualquer tipo de iniciativa. Para existir..

Deixa saudades. Do tempo em que as palavras dos outros ainda davam conforto. Ainda as procurávamos com alguma ânsia. Alguma necessidade talvez. (fazemos tudo por necessidades, por palavras (não somos nós (ou somos) ) ).
Deixa a tua pegada e parte. Parte mas fica. Não tenhas medo, a vida pode sorrir-te. Se não acontecer, sorri-lhe tu. Deixa a tua pegada e fica. Parte.  
Olha que as minha mãos têm pouca pele. Foi saindo com o tempo.. Ainda seguro todos os fios que tens presos à cabeça, mas agora arde (sempre ardeu). E tu tens tanto remédio. (Um problema grande é que parece que mais ninguém tem remédio para mim (alguns dizem que é bonito eu não arranjar outro fornecedor) ).

Vamos preparar tesouras, bisturis e outras lâminas. Vamos moldar o corpo. Deixar que não doa mais. Vamos tentar ir mais longe. Vamos arriscar furar o peito (não há nada senão fumo negro quente). Vamos rir, cantar, dançar e falar. Depois se for preciso chorar, choramos. Mas temos força para fazer isso desaparecer. Acho que temos força. Vamos.

Contar o número de vezes que o céu se veste de branco durante uma tempestade. 8. A chave é arriscar. 

Não vou voltar a sentir algo novo. Não, não vou. E ninguém vai mostrar-me o contrário. (Não devia estar escrito "E ninguém me vai mostrar o contrário" ? Não.)
Algo novo, algo diferente? Não podemos obter diferente a fazer o mesmo. Não, não podemos. Cabe mudar a quem quer mudar. Não adianta estar à espera de vencer esta corrida se nos sentarmos na partida. E corres contra ti. Desiste? Persiste?

Tenho tudo preso na ponta dos dedos, as palavras todas quase a sair, as acções todas quase a serem executadas. Mas não. Tenho o corpo mais preso que a mente. 
Dá-me a chave de alguns cadeados (nem me importo de seguir outro caminho (importo-me, mas não me cabe a mim decidir)).

"Pára de sentir que não sentes, pára de fingir que não finges."


domingo, 31 de agosto de 2014

Nemo. Nemo. Nemo. Ian Nemo.

- Veste o fato nemo. O ar pesado magoa. 
E de novo, nemo cresce. As mágoas e dores desaparecem. As expectativas ficam pausadas até ao próximo jogo de palavras.
- Nada nemo, nada. E mergulha, mas não te atires de cabeça demasiadas vezes. As tuas costas estão tão gastas...
E de novo, nemo morre. Os frios e calores desaparecem. O afeto fica à espera de ser despertado. 
O músculo arde.

domingo, 17 de agosto de 2014

Pees and Carrots, Pees and Carrots again, Equilibrium. Nemo.

Abre, morde, rasga, sente. Abre, acolhe, aperta, sente. Abre, chora, ri, sente.

As forças mágicas que combatem o medo estão exaustas. Mas elas lutam, mordem, rasgam, acolhem, apertam, choram, e riem. As forças mágicas continuam a existir, e para haver equilíbrio, deixam o receio e o medo também exaustos. E de cada vez que lutam, enchem-se de oxigénio, de energia e de vida, e destroem completamente o campo de batalha. Retiram-se ambos exaustos. Nemo permanece. Voltam a crescer flores, vem calor e chuva, brisas leves e neve. E outra batalha começa. Novamente o campo de batalha é destruído. Nemo permanece. 

E de vez em quando, aparecem caminhos bonitos e alternativos. (Que parem as batalhas, para os podermos seguir, e descobrir os seus cursos.)
Isto tudo acontece dentro do meu peito. Desequilíbrio.  

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Desencadear emoções, chuva e vento. Poesias. - α

A nossa geração é dominada pela tecnologia. As mensagens de texto, são cada vez mais frequentes, e, com isto, o tempo insiste na remoção das nossas pseudo-habilidades de interacção. Admito que também estou dependente delas.. (E as cartas dirigidas antigamente, essas pelo menos, tinham magia.. Agora, nada.)

Dentro da alma, do osso partido e do coração rasgado, há força suficiente para carregar a dor de não saber. O vento pode desencadear emoções à chuva. O vento sempre pôde, e vai continuar, provavelmente, a poder. 


Se perde a chuva o rumo,
E o vento larga as brisas,
Nascem do preto fumo
Poetas e poetizas

Sem saberem se é morte,
Ou vida em tom ousado,
Negam as chances da sorte
Carregam peitos de luto
E congelam em tom bruto,
Irreverências do fado


Quando negam o calor,
Passam até do limite,
Prende o fogo, volta a dor
Sofre quem não admite,
Sofre a chuva, sofre o vento,
E a água é desalento.


Abraça a chuva, vento
E dá força ao qu' ainda é vida
Que tudo tem um momento,
Só o tempo é a saída



quinta-feira, 12 de junho de 2014

Memórias remexidas, a clareza do tempo. Recomeçar.

Somos tudo menos fortes. Somos nada mas fracos. Abandonamos as memórias que o coração rasga, como se de jeito carnal, se alimentasse da capacidade pouco desenvolvida do uso da razão. O tempo faz-nos voltar atrás, e apercebemo-nos que novamente não agimos bem, e que abandonar as memórias não foi, provavelmente, a melhor decisão. Voltamos a agarrá-las. Ou então vemos que foi tudo programado pelo fútil destino e resígnámo-nos. De qualquer maneira, concordamos que o passado deve voltar ao presente para fazer parte dele. Um sinal talvez de que seguíamos o caminho errado e voltamos a ter uma chance de o alterar. Consertar o que estragamos, desfazer os erros frágeis e sobretudo voltar a sorrir, a sentir calor.
Mas como não podia deixar de ser, continuam as nossas vidas sem rumo, à procura de um caminho que ainda não conseguimos percorrer. Talvez mais tarde.

Agora é hora de curar o que tem de ser curado. É hora de voltar. É hora de recomeçar.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Escolhas que não podem ser tomadas

Uma atitude é capaz de mudar completamente o curso de uma alma frágil e ainda em construção. Encontros precoces ditam o que pode um dia ser algo, ou apenas pedaço de outro nada. Palavras precoces, cujo significado ainda é um mistério, fogem das mentes algo soltas, dissipam-se no ar, e acabam em gargalhadas, ou simplesmente desvanecem numa mística silenciosa. Mas os olhares, de jeito nada precoce, revelam alguns segredos, que nem Vénus conseguiria desvendar.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Mini-crash

A descoberta de um manto inesperado transforma a perspectiva em ângulo morto de visão interior.
Não sei de que falam as pessoas, e a quem se referem.. Vendi os olhos ao fado.

domingo, 4 de maio de 2014

Identidades perdidas: O medo do ser pelo meio do estar. Incoerências. Dons. Às 5 e tal da manhã..

Houve outrora um tempo em que me achava poderoso, invencível. Parecia que tudo que fazia tinha um rumo, uma razão, um destino. As minhas palavras de veludo pareciam conseguir curar até as feridas mais profundas de qualquer ser, e ainda fazer com que sentissem alguma paz e conforto.
Não sei se por ter usado demais este dom, ou se por o ter, talvez inconscientemente, aplicado em benefício da minha grande bomba de sangue, devo ser privado de tudo que me era mais precioso. Se calhar, no fim de todas as contas, a natureza leva a melhor, e fico eu envolto em chamas, condenado à dor por ter desafiado o equilíbrio.  Ou então, o que eu pensava ser tão especial, era apenas uma fraca peça, onde eram unicamente perceptíveis sons de baixa frequência e grande intensidade, vindos do dedilhar perfeito do destino a tocar um dos seus instrumentos de cordas, desafinando no teatro da minha ignorância.
E acabou por se congelar a vida. Sem justificações ficou tudo abandonado ou deixado ao cuidado de palavras que supostamente nem existem. E aí, justamente aí, surge o problema da existência. 
Provavelmente para recomeçar, e recuperar a existência, temos de descongelar a vida.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Um barco que volta à origem. Os limites da dor, os seus defeitos. Necessidades. - 1

Passaram-se uns dias desde que deixei este vício. Umas semanas, ou talvez uns meses.
São inúmeras as vezes que dizemos que estamos apaixonados, que é esta ou aquela a pessoa certa. Com o passar do tempo, vou corroborando a ideia de que não tenho discernimento necessário para decidir o que amo, que se revela sempre diferente daquilo que admiro.
Mais uma vez estilhacei mil pedaços de vidro. Sinónimo em bruto das vidas espelhadas que voltei a derrubar. Voltei a destruir o que me devia ser alheio, e a estragar coisas que à vista não armada, parecem ser intocáveis.
E agora, justamente agora, começa o músculo a ganhar novo rumo, e a dar-me uma razão para voltar a voar acompanhado, no abismo da solidão. E não há nada mais assustador do que o abismo. Tenho medo. Não quero voltar a ter medo.
E, subitamente, começo a precisar de ti, o novo capítulo da minha vida.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A última contradição - A morte renascida - 1

- Quem são? De onde vieram? Porquê? Será que existe vida sem ser a vossa? Para lá da galáxia?
- Humanos
- Humanos? Quem são? O que são?
- Nós, seres inteligentes. Temos uma vida orgânica e nascemos para viver, crescer, e morrer.
- Morrer? O que é a morte?
- A morte é o fim da vida, do crescimento, do envelhecimento. Talvez o mais cruel desígnio que podemos enfrentar.
- E a vida? Como vivem? De que vivem?
- Vivemos do mundo. Saltamos, corremos, comemos, bebemos, dormimos..
- Comem? O que é comer? O que comem?
- Nós comemos tudo que a natureza nos dá.
- E o que vos dá a natureza?
- Carne, peixe, vegetais, cereais, fruta.. Tantas coisas. O mundo é nosso...

Só quem fecha os olhos é que não entende. Os seres inteligentes estão quase extintos. Vocês humanos, são apenas parasitas que insistem em dominar o planeta. Não, não sois nada, e não vai demorar muito tempo para vos aperceberdes. Fostes habituados a comer carne e peixe e não animais? Pois vos digo, carne e peixe são animais. Vidas perdidas para ficáreis saciados com o sabor da morte. Sim assassinos, matais o mundo, e intitulais-vos de inteligentes. Ah, cambada de ridículos; Idiotas. 



Quem és tu para reclamar com o mundo?
Sim, sim, tu! Sim, tu. Tu que escondes o que tens dentro. Tu que pões em teatro todas as palavras de fingimento. Iludes-te com fantasias mortas. 
Desculpa se o meu eu é uma pergunta constante. Não me estou a desculpar por mim. É de ti, de ti!
Não digas que queres conhecer alguém que não se prenda a limites, quando tu és feita apenas e só de limites. Sabes o que te tira o brilho e a essência? É seres o fruto do nada e do ouvido do vento.
Oh tu, sim tu! Tu que és tão verdadeira e pura que não sabes mais a verdade. Precisas de um momento de silêncio. Reflecte, reflecte..
Agora já ouves noutra frequência.. Não te podes afogar mais, não há nenhum lugar nesta terra que seja mais fundo do que o limite do teu pensamento, do teu olhar. A tua palavra..



Não podia ser mais controverso, mas voltei a sentir fogo. Ai, que fogo quente e acolhedor. E a dor desta vez pode ser maior.. Vai ser maior?
Quero manter esta chama eternamente, e a comunidade de seres inteligentes está sempre a gerar vento. Os ventos tanto dão vida aos fogos, como os apagam. Preciso que esta chama nunca passe abaixo deste nível.
Decido-me, e guardo o desejo: Quero sair daqui. Contigo, mas quero sair daqui. Viver eternamente fora dos limites e impor um mundo sem regras. Apenas amor e paz, com os homens e com os animais.
Ainda estou a inventar palavras que traduzam de relação capaz o que sente o meu cérebro, e o que pensa o meu coração. De momento, só quero fugir contigo. De momento, só consigo desvendar uma singularidade no meu olhar.