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domingo, 4 de maio de 2014

Identidades perdidas: O medo do ser pelo meio do estar. Incoerências. Dons. Às 5 e tal da manhã..

Houve outrora um tempo em que me achava poderoso, invencível. Parecia que tudo que fazia tinha um rumo, uma razão, um destino. As minhas palavras de veludo pareciam conseguir curar até as feridas mais profundas de qualquer ser, e ainda fazer com que sentissem alguma paz e conforto.
Não sei se por ter usado demais este dom, ou se por o ter, talvez inconscientemente, aplicado em benefício da minha grande bomba de sangue, devo ser privado de tudo que me era mais precioso. Se calhar, no fim de todas as contas, a natureza leva a melhor, e fico eu envolto em chamas, condenado à dor por ter desafiado o equilíbrio.  Ou então, o que eu pensava ser tão especial, era apenas uma fraca peça, onde eram unicamente perceptíveis sons de baixa frequência e grande intensidade, vindos do dedilhar perfeito do destino a tocar um dos seus instrumentos de cordas, desafinando no teatro da minha ignorância.
E acabou por se congelar a vida. Sem justificações ficou tudo abandonado ou deixado ao cuidado de palavras que supostamente nem existem. E aí, justamente aí, surge o problema da existência. 
Provavelmente para recomeçar, e recuperar a existência, temos de descongelar a vida.

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