As rectas que fazem hoje o círculo que é a minha vida estão gastas. Tenho tentado que cordas me puxem, mas acabam por falhar.. Rompem-se porque não têm força, ou são tão velhas e gastas que parecem nem sequer perceber os espaços entre os meus dedos, e a dificuldade que é agarrar com a alma da mão..
Sinceramente, não sei se é a culpa minha, ou se do ar que respiro, mas suportar este fardo tem sido de tão árdua índole, que as minhas costas marcadas não são sequer capazes de aguentar mais umas gramas de desespero..
E entre incertezas cruéis tenho pedido, a pensar, que venha alguém que não saiba e que me possa ajudar.
Faz-me ar perceber, vale a pena respirar? Faz-me sol sonhar, é certo entender? Faz-me chuva decifrar, até que ponto então, era profundo aquele olhar..
terça-feira, 24 de setembro de 2013
quinta-feira, 12 de setembro de 2013
Chamas geladas - 7
Uma fogueira vai ardendo noite adentro, e vão-se extinguindo lentamente pequenas centelhas que formam um considerável monte de cinzas. A madeira consumida pelo fogo ardente pertence à árvore oca que mora no oceano. Arde há semanas (meses, talvez), e não entendem os pássaros como pode aquela fogueira estar ainda acesa, sem oxigénio..
Um mocho velho sussurra sem saber, que o oco tronco arde para sustentar raízes e ramos. Que sábio é, sem saber.
E enquanto a água fria que corre tenta apagar este fogo de pouca glória, orgulha-se o tronco de ser queimado por chama tão pouco subtil, à qual os tolos mais perspicazes teriam a ousadia de chamar amor.
Um mocho velho sussurra sem saber, que o oco tronco arde para sustentar raízes e ramos. Que sábio é, sem saber.
E enquanto a água fria que corre tenta apagar este fogo de pouca glória, orgulha-se o tronco de ser queimado por chama tão pouco subtil, à qual os tolos mais perspicazes teriam a ousadia de chamar amor.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Derrame - 6
Sustém a respiração para não te afogares. O rio partiu a pedra macia e bondosa que o segurava.
Tão incerto era, e tão frágil. Acabou por partir a pedra dura, feita para aguentar todo o peso possível. Fugiram as águas, o rio secou e a pedra continua partida no meio de tão fundo leito.
Levai vento palavras tristes e dissipai-as. Contai às árvores tais aventuras e pedi-lhes que não as partilhem com seus ramos. Dizei-lhes que o rio escolheu o curso mais fácil e desaguou no mar cruel. Como ama o rio o mar cruel..
Fitem-me todas as gotas de chuva. A árvore que parece dura está oca. Ouvem-se suspiros da brisa.
Não sustenho mais a respiração e afogo-me. Morri.
Tão incerto era, e tão frágil. Acabou por partir a pedra dura, feita para aguentar todo o peso possível. Fugiram as águas, o rio secou e a pedra continua partida no meio de tão fundo leito.
Levai vento palavras tristes e dissipai-as. Contai às árvores tais aventuras e pedi-lhes que não as partilhem com seus ramos. Dizei-lhes que o rio escolheu o curso mais fácil e desaguou no mar cruel. Como ama o rio o mar cruel..
Fitem-me todas as gotas de chuva. A árvore que parece dura está oca. Ouvem-se suspiros da brisa.
Não sustenho mais a respiração e afogo-me. Morri.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Aconitum - 5
As árvores estão sem folha. O mar não tem sal. Os campos choram e as cidades estão cheias de flores.
Trilho um caminho oculto. Não sei onde piso, estou eu a partir ossos?
Entro-te por alguns nervos que escondes no perfume, aconitum; Senti-te o odor e estou parado. Como podes ter-me feito isto?
Prendo alguns dos teus cabelos com a memória. Não me restam mais forças. Nada em mim se move e os órgãos não fogem à regra.
Sou feito de netúnio, plutónio e amerício. Vou morrer cedo.
Vive aconitum, vive! Mata-me. Sou teu eternamente, sou teu nestes segundos. Não sou teu.
Mata-me aconitum, mata-me! Quero sentir o teu cheiro...
Como podes ter-me, feito isto?
Trilho um caminho oculto. Não sei onde piso, estou eu a partir ossos?
Entro-te por alguns nervos que escondes no perfume, aconitum; Senti-te o odor e estou parado. Como podes ter-me feito isto?
Prendo alguns dos teus cabelos com a memória. Não me restam mais forças. Nada em mim se move e os órgãos não fogem à regra.
Sou feito de netúnio, plutónio e amerício. Vou morrer cedo.
Vive aconitum, vive! Mata-me. Sou teu eternamente, sou teu nestes segundos. Não sou teu.
Mata-me aconitum, mata-me! Quero sentir o teu cheiro...
Como podes ter-me, feito isto?
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Recomeço - 4
Procurei-te no meio do mar e já lá não estavas. Estou no meio da floresta e encontrei uma árvore viva. Tubarões nadam entre flores venenosas. Também cá não estás. O vento não canta na tua direcção.
Deito-me numa nuvem de algodão - que agradável. O sangue que me escorria os olhos estagnou. Ardem, mas estão abertos. Aprecio agora a árvore.
O espelho da minha alma está baço. Não me encontro. Sucumbiu a vontade oculta que me afastava os lábios: agora estão juntos. Desaparece. Desaparece!
Mas diz algo antes de ires, minha incerteza constante.
Deito-me numa nuvem de algodão - que agradável. O sangue que me escorria os olhos estagnou. Ardem, mas estão abertos. Aprecio agora a árvore.
O espelho da minha alma está baço. Não me encontro. Sucumbiu a vontade oculta que me afastava os lábios: agora estão juntos. Desaparece. Desaparece!
Mas diz algo antes de ires, minha incerteza constante.
Céu Azul - 3
Palavras de veludo foram outrora cravadas num esqueleto parado que anda por toda a parte.
Acabaram-se os combustíveis. A máquina não mexe. Alimenta-a, dá-lhe vida. Ou deita-a fora, recicla-a para que tenha um destino. Não guardes o que não te é útil.
De que é feito o céu senão de cor? Saboreio as nuvens.. O vento tem levado as nuvens...
De que é feito o amor senão de dor? Continuo a saborear as nuvens. Peço ao vento que não as leve.
Acabaram-se os combustíveis. A máquina não mexe. Alimenta-a, dá-lhe vida. Ou deita-a fora, recicla-a para que tenha um destino. Não guardes o que não te é útil.
De que é feito o céu senão de cor? Saboreio as nuvens.. O vento tem levado as nuvens...
De que é feito o amor senão de dor? Continuo a saborear as nuvens. Peço ao vento que não as leve.
domingo, 1 de setembro de 2013
Mão do destino - 2
Quero fugir pelos dedos desta mão. A fraqueza apodera-se do meu corpo nu e inútil. Estou vestido com mágoa.
Esqueceste-te de como são lindas as palavras dirigidas irracionalmente? Pára de sentir que não sentes. És horrível. Pára de fingir que não finges. És horrível.
Esqueceste-te de como são lindas as palavras dirigidas irracionalmente? Pára de sentir que não sentes. És horrível. Pára de fingir que não finges. És horrível.
Uma árvore mora no oceano. Um peixe está numa floresta. Engana-te.
Pequenos montes de nada. Espinhos aguçados de algodão puro. Calafrios. Suspiros. Suor.
Mata-me. Peço-te que me mates. Quero que me mates. Odeio-te. Sentimentos negros fluem-me da cabeça aos pés. Não me atrevo a odiar-te. Estou cego, surdo, mudo. Não consigo sequer mexer-me. A apatia instável que me causa náuseas intervala o som do teu silêncio impuro com episódios anteriores. És linda. Essa apatia é justa. Ouço injustiça.
Amo-te. Ainda carrego a nossa pedra, mas está muito pesada.
Amo-te. Ainda carrego a nossa pedra, mas está muito pesada.
Desintegração - 1
Abraça-me solidão, é nos teus braços frios que encontro peças de um instrumento partido.
Expulsa-me, domina-me e reduz-me à tua insignificância. Sou nada. Vejo alguns raios de sol.
Uma chave não abre nada. Uma fechadura corrompida.
Não me mexo, não me quero mexer.
Abro os olhos e não vejo. Fecho-os e encontro a tua presença. Ouço gritos estridentes. São pássaros - pássaros que gritam? Porque os fazes gritar? Porque lhes cortaste as asas? Não consigo respirar; por favor carrega-me e enche-me de oxigénio. Não o faças, deixa-me morrer. Mata-me e expulsa-me.
Não vejo raios de sol. Não vejo nada. Tenho os olhos fechados.
Expulsa-me, domina-me e reduz-me à tua insignificância. Sou nada. Vejo alguns raios de sol.
Uma chave não abre nada. Uma fechadura corrompida.
Não me mexo, não me quero mexer.
Abro os olhos e não vejo. Fecho-os e encontro a tua presença. Ouço gritos estridentes. São pássaros - pássaros que gritam? Porque os fazes gritar? Porque lhes cortaste as asas? Não consigo respirar; por favor carrega-me e enche-me de oxigénio. Não o faças, deixa-me morrer. Mata-me e expulsa-me.
Não vejo raios de sol. Não vejo nada. Tenho os olhos fechados.
Hora da mudança - 12
É agora. Hoje estou desiludido. Hoje mudo, e deixo de ser simples. Não o sou mais, acabou a fase da transparência e das palavras que todos entendem. Não estás cá, desapareceste. A partir de agora sou um mistério.
Obrigado Pégaso por teres estado cá, foste importante.
Adeus à minha pessoa estranha, vou fechá-la a cadeado e escrever sentimentos.
A primeira saga terminou.
Adeus à minha pessoa estranha, vou fechá-la a cadeado e escrever sentimentos.
A primeira saga terminou.
Pequenos detalhes - 11
Na última conversa com o Pégaso, disse-lhe que não sabia se mandaria ou não mensagem à rapariga misteriosa. O Pégaso disse que não podia decidir por mim, e nesse momento deu-me uma estranha sensação de que estava sozinho. Realmente, já me estava a apegar muito a esse ser, e eu disse de inicio que não queria isso. E não quero. Não quero apegar-me a ninguém. Mas gostava de sentir o toque e o conforto de falar.
Mandei a mensagem, e não tive resposta. Talvez as minhas súplicas anteriores tenham resultado, talvez não me queira só falar. Mandei outra mensagem, desta vez mais intensa. Faz como se não visse ou não quisesse responder. Pedi-lhe que me expulsasse da vida dela, pedi com força, ou que não o fizesse, que me agarrasse. O que me tem impedido de estar num limbo sem dor é a incerteza. Não sei o que aconteceria se ela me expulsasse para sempre, mas estou certo que seria melhor do que este estado deprimente. Não pode ser pior do que isto..
Vou aguardando por algo que torne as coisas diferentes, e ouvindo algumas vozes que reconfortam algo partido..
Mandei a mensagem, e não tive resposta. Talvez as minhas súplicas anteriores tenham resultado, talvez não me queira só falar. Mandei outra mensagem, desta vez mais intensa. Faz como se não visse ou não quisesse responder. Pedi-lhe que me expulsasse da vida dela, pedi com força, ou que não o fizesse, que me agarrasse. O que me tem impedido de estar num limbo sem dor é a incerteza. Não sei o que aconteceria se ela me expulsasse para sempre, mas estou certo que seria melhor do que este estado deprimente. Não pode ser pior do que isto..
Vou aguardando por algo que torne as coisas diferentes, e ouvindo algumas vozes que reconfortam algo partido..
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