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sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Impulsos e inquietações - 10

A noite de hoje está chata. Horrível para ser sincero. Não aguentei os impulsos que me tenho esforçado tanto para aguentar, e mandei mensagem à rapariga misteriosa. Não consigo dormir, não consigo sentir alívio. Hoje o Pégaso, que me tem ajudado imenso, está afastado. Ainda bem, porque assim posso sentir a verdade.
Pedi à rapariga que acabasse com as incertezas, porque são de facto essas que desenrolam tanta inquietação e mal estar. Não sei se vai responder, não sei se quer responder.
Falei com um amigo sobre andar de comboio, e neste momento parece-me uma ideia bem confortável. Vamos andar de comboio.


Seres míticos, seres desiguais - 9

Já estou no oitavo dia sem dirigir uma palavra à pessoa a quem mais quero falar. Tenho-me aguentado bem em relação ao que achava que isto ia ser. Mas tenho-me aguentado bem porque não o tenho feito sozinho; Realmente é muito difícil encontrar uma paz de espírito que nos governe e nos faça enfrentar tudo sozinhos.
E eu sou cobarde, tenho receio de enfrentar as coisas sozinho.
Tenho descoberto o Pégaso. Tornou-se uma importante fonte de confiança e alívio. Sim, alivia bastante falar com um estranho que entende exactamente aquilo por que estamos a passar.
Em breve a minha vida vai dar algumas voltas, e isso assusta-me um pouco. Devo sair desta cidade, e afastar-me talvez destes pensamentos. De momento não é o que quero.
Ainda que provoquem uma sensação de náusea, ou mesmo enjoo, estes pensamentos (esperanças e ilusões) alimentam uma chance ínfima de voltar a estar com a rapariga misteriosa, que é realmente o que quero.

Entretanto, vou falando e acalmando, ouvindo e apreciando as vozes de Deuses..

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Luzes que se acendem no meio da escuridão - 8

Houve um momento de reflexão profunda (já dura há uns meses) que me fez no estado em que estou. O que tem acontecido no presente, e neste passado muito próximo, só contribui para alargar este buraco que tenho no peito. Porque o tenho? Porque o quero ter, disse o alguém que me tem ouvido ultimamente.
Quando fiquei certo que em mim não poderia mais entrar a minha ex, uns tempos depois de termos acabado, fui-me apagando. Fi-lo por vontade própria talvez. Precisava de me apagar por um bocado, e foi talvez aí que o buraco realmente cresceu; Afastei-me dos meus amigos, saí do remo, deixei de ligar à escola (não é que tivesse ligado até lá), e fechei-me. Neguei tudo e todos para me poder fechar.
Essa escuridão foi apagada depois de algumas palavras suaves e queridas da "rapariga misteriosa". Porra, tão linda, palavras tão lindas. Apaixonei-me irreversivelmente, e agora (ou por agora) é só isto, uma memória.



Será que se acenderão novamente luzes neste mar de escuridão?

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Algo se está a apagar - 7

Ontem foi um dia bom. Fui ter com um bom amigo e falamos sobre a vida; Foi exactamente durante esta conversa que me apercebi de que é enorme a quantidade de jovens que se encontram na mesma situação que eu. Estamos todos deprimidos. Somos a porra de uma geração de transição deprimida.
Na última conversa com o Pégaso Mágico descobri que ele está igual a mim, numa situação bastante parecida. Desapareceram-nos as pessoas que nos faziam sorrir.
De alguma forma sinto algum conforto a falar com o Pégaso, mas não posso deixar que se apodere da minha vida, nem eu posso entrar na dele sem mais nem menos. É confortável, mas é perigoso.
O Pégaso está assustado, mas já está longe de quem gosta há mais tempo que eu, o que me faz querer ouvir as suas palavras. De alguma forma, ainda que eu saiba que a dor continua lá, ele insiste que está conformado. E a este ritmo eu vou conformar-me também. A dor que é grande começa a enfraquecer, e depois disto, depois de ficar quase nula, não sei se quero voltar ao estado feliz em que estava. Acho que vou lutar para permanecer nesse limbo sem dor que o Pégaso idealiza. Sofrer não traz felicidade, ainda que nos traga lembranças (que por sua vez são parte da felicidade).

Vou ouvindo os deuses, e desenhando alguns dos seus nomes..

I am falling asleep..

domingo, 25 de agosto de 2013

Medo do escuro - 6

Estou fechado, sem ninguém por perto. Estou a ser observado, constantemente observado, por ninguém.
Não estou livre e tenciono mudar isso. Até agora não saí destas paredes, e os enjoos ainda não passaram.
Amanhã espero acordar com vontade de sair, não, vou acordar com vontade de sair!
A rapariga misteriosa nunca mais falou, talvez não sinta nada disto como eu sinto, e as nossas conversas não tenham passado de puras ilusões. 
Hoje lembrei-me e analisei outra vez mentalmente a última conversa. Disse-me que não podemos encontrar conforto em ninguém, se não em nós mesmos, porque em algum momento todos desaparecem.
A rapariga misteriosa desapareceu, mas ainda está bem presente. Passou de uma suave almofada de comodidade a uma coroa de espinhos bravos. Ainda cá está, mas desvanece aos poucos... (pergunto-me como estará ela agora..)
Se nos afastarmos dos problemas eles não se resolvem, ensinou-me outrora quem agora me odeia. Mas não posso ter isso em mente se não alcançar a paz interior de que o Pégaso me falou. Vou só afastar-me então.

Hoje tenho medo do escuro; amanhã, talvez consiga ver a luz..
 

sábado, 24 de agosto de 2013

Não é dor, não pode ser dor - 5

Algo está mais forte. A dor já não é dor. Todas as emoções sumiram.
Numa tentativa de perceber o que se está a passar falei mais uma vez com um Pégaso Mágico.. Não se riam de mim, o Pégaso existe. Riam-se de mim, falei com um Pégaso..
Sumiram mas estão presentes! Só passaram de psicológicas a físicas. Aquele mal estar transformou-se em enjoos fortes. O cansaço mental apoderou-se das minhas horas de sono. Não durmo, mal como.
Não conheço esta fase, é-me estranha.
O Pégaso falou-me de paz.. e não se quis abrir comigo, nem eu com ele, com medo que as palavras se tornassem em algo mais profundo que palavras. E algo mais profundo pode ser perigoso.
As suas eram uma chave enferrujada, que tentava abrir os meus olhos, fechados com um cadeado por código. A chave não tinha por onde entrar.
A verdade é não se dirigiam a mim. O Pégaso tem o coração ferido, e partilha o que estou a sentir. Não mo disse, mas não foi preciso. Aquelas imagens felizes não passam de imagens, e as vontades de mudar a infelicidade não passam de ideais. Desejamos boa sorte um ao outro, e seguimos caminho. Eu para o meu canto solitário, e ele para o dele, que de momento está mais iluminado que o meu.
Quanto à rapariga misteriosa, estou cada vez mais certo de que é incerto o nosso futuro. Será que vamos voltar a ser amigos? Curará o tempo algo que não aconteceu? Ficaremos para sempre sem falar, numa incerteza certa?

Obrigado Pégaso Mágico.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Tentar reviver - 4

Ontem foi um dia diferente. Foi um dia para esquecer os problemas e voltar aos dias da infância, literalmente. Sim, literalmente - fui à magikland, um parque infantil. Aí vivi as minhas memórias de ser pequeno, de como era maravilhoso e mágico acreditar que aquelas coisas não singulares eram singulares e as coisas mais comuns eram tão maravilhosas. Ah! e fui com amigos de infância o que tornou as coisas mais reais. E grandes amigos!
A parte da manhã foi muito divertida porque vivi a infância ao máximo. Mas passou rápido, a algum momento a dor interior de pensar se tinha de apoderar de mim..
Mandei mensagem àquela que chamava de melhor amiga (até irmã), e me tem abandonado nestes momentos, e mandei mensagem ao Pégaso Mágico. Podia ser que me ajudasse, mas não obtive resposta.
Então voltei a estar comigo mesmo e porra, era tão ingrato. Todos aqueles amigos de infância que estavam lá esforçavam-se para ser engraçado, e eu ali fechado. Voltava o desgraçado...

Charles Chaplin aconselhava a que deixasse-mos o pensamento mais de parte:
"Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e 
Tudo se perderá."
 Então porque raio o meu não me larga? Vou ouvir novamente as vozes dos deuses...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A crueldade do silêncio - 3

Nestas últimas horas fechei-me completamente. Neguei todos os convites de saída. Bloqueei as pontes que me afastam da depressão. Pelo menos, deprimido, tenho algo para pensar. E nunca ouvi nada a respeito da impossibilidade de o nós acontecer; decidi que vou, e prefiro, ficar na incerteza.
O silêncio mata-me, mas fui eu que o pedi.. qual foi o sentido disto? Proteger o que os outros sentem? Mais uma vez ponho tudo e todos à minha frente. Não valho nada, sou apenas um desgraçado.
Vou continuar fechado por um bocado, até que me farte e a dor se torne algo mais forte talvez. Algo como raiva, repulsa ou ódio pela pessoa que estragou tudo.

Estou para descobrir se me vou odiar brevemente.
Entretanto vou ouvindo vozes de Deuses que me vão aliviando.

Despedaçado por nada que não tivesse ainda imaginado - 2

Há uns dias que me tenho tentado aperceber até que ponto o amor pode aguentar uma amizade perdida. Tenho chegado à conclusão que a amizade é a coisa mais forte neste mundo. O que se pode mesmo opor a ela? Um amor forte? Poupem-me. Não há nada que se oponha. É como tentar fazer frente a um mar revoltado com um submarino de última geração. Por muito forte e robusto que seja, vai partir, e acabar por deixar de existir ( talvez sobrem uns pedaços daquele que foi outrora um submarino capaz de se impor ).
Discuti com a minha ex-namorada. Com tanta força que provavelmente nunca mais nos vamos falar. E isso acarreta muito mais do que a falta de bem estar que tenho sentido nos últimos tempos. Provavelmente perdi de vez a rapariga misteriosa que me esforçava arduamente em desvendar e conhecer cada vez melhor. Ainda que afastados, e agora talvez para sempre (se não for para sempre vai ser por muito tempo) os meus sentimentos por ela têm evoluído.
É curioso saber como seres fracos e ingénuos se podem deixar cambalear num mar tão imenso de emoções impuras. Bem, garanti-lhe que ia tentar não me meter mais, e supliquei-lhe que em qualquer que fosse a situação, não me respondesse..
Foi talvez, o inicio do meu fim. Deste fim.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Corpo livre, mente presa - 1

Costumam falar e falar sobre como é a vida e como devemos vivê-la intensamente. Costumam dizer que os pequenos detalhes nos fazem grandes e que é neles que encontramos a verdadeira razão da vida. O motivo que nos leva a querer lutar, alcançar e continuar.
Eu não sei porque não o sinto, porque não sinto nada disso. Não sei porque não sinto nada de nada.
Eu sinto. E sinto tudo. Sinto tudo ao pormenor. Contradisse-me? Não. E sim.
Apaixonei-me pela melhor amiga da minha ex-namorada, e ultimamente é à volta disso que a minha vida roda. Dá tantas voltas que já estou enjoado, muito enjoado, como se estivesse constantemente a andar num carrossel de emoções, a uma velocidade que não podem imaginar, que ninguém pode imaginar.
É estranho quando me perco nos meus divagueios e dou por mim a pensar em como seria a minha vida ao lado desta nova rapariga. Parece que finalmente tenho razões para ir em frente, para sorrir e lutar. Rapidamente se viram contra mim. A ex-namorada que insiste em odiar-me, porque prefere seguir o caminho mais fácil, e a relação forte que as duas têm, que apaga qualquer hipótese de as coisas virem a acontecer. Aliada a tudo isto está a pressão de crescer e de me tornar adulto.
Não tenho a certeza quanto aos sentimentos dela, é bastante misteriosa. Todas as nossas conversas são mistérios, da mesma forma que todos os nossos mistérios são conversas. Não passam disso ainda. Não sei se lute para que passem ou se apenas apague a última palavra da frase anterior.