Abraça-me solidão, é nos teus braços frios que encontro peças de um instrumento partido.
Expulsa-me, domina-me e reduz-me à tua insignificância. Sou nada. Vejo alguns raios de sol.
Uma chave não abre nada. Uma fechadura corrompida.
Não me mexo, não me quero mexer.
Abro os olhos e não vejo. Fecho-os e encontro a tua presença. Ouço gritos estridentes. São pássaros - pássaros que gritam? Porque os fazes gritar? Porque lhes cortaste as asas? Não consigo respirar; por favor carrega-me e enche-me de oxigénio. Não o faças, deixa-me morrer. Mata-me e expulsa-me.
Não vejo raios de sol. Não vejo nada. Tenho os olhos fechados.

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