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domingo, 13 de outubro de 2013

Gritos doces de verdadeira agonia - 5

Está muito frio. Fugi para uma floresta gelada e procurei calor debaixo da tinta preta de uma caneta azul. Fugiram-me pensamentos bons e ficaram palavras, porque delas se alimenta a minha fome. Ao crepúsculo, depois de ouvir o vento, fiquei a entender pouco da razão. E da relação incestuosa entre o nada que entendi e o tudo que não entendo, nasceram estrofes de vontade e memória, às quais um dia, por intermédio do mistério e da ansiedade, poderá o vento usar como chave, para desencadear emoções à chuva:


Quando a cor perde o sabor,  
E na dor do teu olhar               
Encontro já o saber                    
Vejo o fundo do mar,                
Fico modesto em ardor           
e enceta o talento a tecer.      


Abraço flores com o cheiro     
E insisto só em pensar              
Faça o vento acontecer           
Seja fugir ou sonhar                 
E posso então prometer,        
Dar-te-ei o mundo inteiro.        


E se achares que é só dor               
conteúdo destes versos         
Ouve o silêncio da voz,            
Cantarás que são reversos     
E verás chama e calor             
Neste fado tão atroz.               


Por isso te invoco vento         
Faz da chuva a tua casa          
E desiste da revolta                  
Que se esse calor não vaza         
É porque tem ponta solta          
Na pátria do pensamento.


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