Está muito frio. Fugi para uma floresta gelada e procurei calor debaixo da tinta preta de uma caneta azul. Fugiram-me pensamentos bons e ficaram palavras, porque delas se alimenta a minha fome. Ao crepúsculo, depois de ouvir o vento, fiquei a entender pouco da razão. E da relação incestuosa entre o nada que entendi e o tudo que não entendo, nasceram estrofes de vontade e memória, às quais um dia, por intermédio do mistério e da ansiedade, poderá o vento usar como chave, para desencadear emoções à chuva:
Quando a cor
perde o sabor,
E na dor do teu
olhar
Encontro já o
saber
Vejo o fundo do
mar,
Fico modesto em
ardor
e enceta o talento
a tecer.
Abraço flores com
o cheiro
E insisto só em
pensar
Faça o vento acontecer
Seja fugir ou
sonhar
E posso então
prometer,
Dar-te-ei o mundo
inteiro.
E se achares que
é só dor
conteúdo destes
versos
Ouve o silêncio
da voz,
Cantarás que são
reversos
E verás chama e
calor
Neste fado tão
atroz.
Por isso te
invoco vento
Faz da chuva a
tua casa
E desiste da
revolta
Que se esse calor
não vaza
É porque tem
ponta solta
Na pátria do
pensamento.

Sem comentários:
Enviar um comentário