Ser amigo é ser
ninguém
Ser tudo, sem
fazer nada
É ter a fome de
ouvir
Sem medo d’ir
mais além
Ser triste, poder
sorrir
E acender luz
apagada
É apagar a
existência
E cantar
prudentemente
O curso das ondas
velhas;
É sentir
inteiramente
E repor de novo
as telhas
Com a maior diligência
Intervalar momentos bons
Com os de infelicidade
Tanto estar pra gargalhada
Como pra privacidade,
E oferecer sempre estrada
Afastando os piores tons
Então quando a
alma dói
E a alegria ganha
pó,
Não deixes a voz
fechar
Porque o silêncio
mói
E em nada vai
ajudar;
Lembra-te, não estás
só.
Se nascer dúvida
tonta
Ou te perguntar alguém
O que é ter um
amigo,
Responde com
grande afronta:
É ter nada e ter
também

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