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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Atormentada maré de desculpas - 9

Passamos por muita coisa naquele barco. Do tempo em que éramos dois enjaulados desconhecidos com ânsia de saber mais, e bestas inocentes com pouco sentido de orientação. No fundo só queríamos desesperadamente que aparecesse um ninguém que nos sarasse as feridas, nos desse um pouco de conforto, e nos deixasse um sorriso nos lábios. E a princípio encontramos.
Depois o tempo passou, e o crime que cometíamos ficava cada vez mais evidente. Nenhum de nós quis pensar nisto como um crime. E começou então uma maré alta. Muito turbulenta. Ameaçadora. Perigosa.
Tivemos de intervalar as propriedades dos ímanes. Tivemos de correr, para nos sentarmos. E quando parecia que as coisas não podiam piorar, eu caí do barco, e afoguei-me nas chamas abaixo de nós. Pobre de mim que me afoguei, e me sentia tão criança. Tão feliz. E consciência? Não era chamada ao momento.
Agora dou por mim a enrolar bolas de neve. Até as brisas me matam. 


Uma forte mágoa de alma                   
Vivia no fundo de mim
Em tempo de tom escuro,            
E ao procurar a calma
Percorri, no obscuro,
Um estranho caminho sem fim


Tentar apagar o medo
E aquietar a dor
Encaminhavam certeza
Encontrei em mim amor,
Desvendei-te o segredo
E entendi que estavas presa


Em brasa pediste espaço
E tentaste desaparecer,
Enterrando o novo achado;
Abracei, forçando o laço
E nas marcas do passado
Recomecei a morrer


Na escada da ilusão
Subindo, dizia ao vento:
Serei dela eternamente;
Mas revelaste opressão
E mostraste em ti diferente
O que em mim era sedento


E agora incolor,
Flutuo em tormentos.             
Sem nenhuma identidade,
Não sei mais ser sonhador,
E tenho em prioridade
Afogar-me em lamentos





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