Depois o tempo passou, e o crime que cometíamos ficava cada vez mais evidente. Nenhum de nós quis pensar nisto como um crime. E começou então uma maré alta. Muito turbulenta. Ameaçadora. Perigosa.
Tivemos de intervalar as propriedades dos ímanes. Tivemos de correr, para nos sentarmos. E quando parecia que as coisas não podiam piorar, eu caí do barco, e afoguei-me nas chamas abaixo de nós. Pobre de mim que me afoguei, e me sentia tão criança. Tão feliz. E consciência? Não era chamada ao momento.
Agora dou por mim a enrolar bolas de neve. Até as brisas me matam.
Uma forte mágoa de alma
Vivia no fundo de mim
Em tempo de tom escuro,
E ao procurar a calma
Percorri, no obscuro,
Um estranho caminho sem fim
Tentar apagar o medo
E aquietar a dor
Encaminhavam certeza
Encontrei em mim amor,
Desvendei-te o segredo
E entendi que estavas presa
Em brasa pediste espaço
E tentaste desaparecer,
Enterrando o novo achado;
Abracei, forçando o laço
E nas marcas do passado
Recomecei a morrer
Na escada da ilusão
Subindo, dizia ao vento:
Serei dela eternamente;
Mas revelaste opressão
E mostraste em ti diferente
O que em mim era sedento
E agora incolor,
Flutuo em tormentos.
Sem nenhuma identidade,
Não sei mais ser sonhador,
E tenho em prioridade
Afogar-me em lamentos

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